Na caixa

Entre o céu e a terra

Entre a reta e a curva

O silêncio e a música

A questão e a dúvida

 

Entre o corpo e o espelho

Entre o dizer e o ouvir

O movimento e o tempo

A vida para seguir

 

Entre linhas

Entre bocas

Entre cantos

Pode entrar

 

Existe o passo que fica

Os olhos dialogar

O que me esconde¿

Corpo de bailarina

 

Firme como gelo

Que derrete

Na velocidade

De um dia quente

 

Sente o sentido

De ser muito 

Não cabe em si

Não cabe em mim

Não precisa caber

 

Sobra o que nela dobra

Explode com o fogo

Que não teve começo

Não teve meio

Nem

 

Enfim

Admitindo verdades

Das raízes

Que afrouxam

 

Sempre ser tanto

Girando na caixa

Seria tão bom

Voar como pássaros

 

Livre de culpas

Eles dizem

Mas não escutam

Bonita boneca que gira

 

Sozinha não goza

Mas grita em silêncio

A vitrine é pouco

 

Vira gaveta

Vira a cara

Revira a volta

 

Não pode chorar

Boas maneiras

Boa menina

Que ama os outros

Mas morre vazia

 

Mal sabem elas

Mal sabem eles

Ela mal sabe

Que dança

 

É domínio

Resistência do ar

Os encontros da terra

Limitações internas

 

Dominar as dobras

De um corpo imperfeito

Aceitar o inteiro

Compartilhar

O interno

 

Mostrar

O que passa pelas veias

Todo sangue que corre

Pulsa Expulsa Impulsa

O ser que vive

Livre de julgamentos

Ser maior que os medos

Entre ruas estreitas

 

Enfrenta o perigo

Sente a solidão bater

Bate mais forte

Bate de frente

 

Coração acelerado

Corpo entregue a alma

Ela dança

No ritmo cardíaco.

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