Com amor

A ti desejo o amor,

Não falo desses de cinema ou canções americanas, muito menos do amor poético, romantizado.

A ti desejo o amor das entrelinhas, que construímos ao longo do caminho, mais difícil de encontrar que verdades ditas em público.

Esse amor que a ti desejo não depende de mim, a ninguém cabe esse lugar.

Sim, é possível ser amada por inteiro, sem mentiras nem preconceito.

Onde seu corpo é visto, sentido, aceito cada detalhe, onde defeitos não são mencionados.

Não existe  padrão para se comparar, tua beleza é tão única que não há a opção de não gostar.

Olhe para o espelho, nele reflete o medo , a culpa, as cicatrizes deixadas pelo tempo.

Olhe mais fundo do que costuma enxergar, pare de se culpar pelas medidas elas nem almenos existem.

E que se foda os que dizem o que devemos ser, o que devemos ter,  vestir, comer e aprender.

Eu sei, é difícil ser, é difícil aceitar, olhar para si e amar.

AMAR o corpo

Que carrega tua alma todos os dias, sentindo na pele o peso do padrão.

Perdoa,  teu corpo se doa em busca de aceitação.

Perdoa tuas marcas de nascença, desacredita do que tenham dito, diz que agora é tu quem dita.

Tuas verdade, tua razão.

Amai a si acima de todos,  além dos parâmetros de beleza,

A riqueza está em teu sorriso, se arrisca em ser verdade.

Desconstrói os conceitos, se acerta consigo

Faz do teu corpo abrigo.

 

 

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FORMA

Cor

Preta e branca

Vermelha de sangue

Corpo

Político

Meu corpo é lírico

Livre

Com minhas regras

Compartilho

Quando quero

Reservo, guardo, espero

Mostro

A nudez da pele

Que arrepia meus pelos

Quando te tenho perto

Pelos,  poros, cravos e rosas

Meu corpo é descontínuo

Como as linhas

Das minhas estrias

E desses versos

Nas dobras

Encontro curvas

São as ruas

Da minha casa

Não sou praça

Que passa

Sou morada

Para estar

Presente

Todo mês

Menstruo

Menstruada

Sem censura

Imensurável

Não há vergonha

Em ser nua

Mulher crua

Que carrega o útero

Onde habita

O sangue fértil

Corpo

Não é forma

É conteúdo poético.

 

-LINE

 

Pedras no caminho

feridas Deveriam passar

ficam estagnadas ignorando o tempo

O tempo todo indo e vindo

Para o mesmo tropeço

Que dei quando cai de boca aberta

Na ilusão do medo

Anseio não estar presa

Já estando há milênios

Perdida na mesma linha

De raciocínio lógico aprendido

Apreendido e vendido na promoção

metade do quanto vale

Moralidade liquida e barata

não há valor

venderam todos

Nota-se que

minhas notas não são falsas

Notas que não tirei

Por não querer prova

Eu vejo os que se vendem

Vejo por que não me vendo

Meus erros só curo

Me vendo

Olhando para cada rio

Que escorre no meu corpo

Renova o que fui

Feridas

Abraço quem sou

Cicatrizes são pedras

No caminho do rio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Histéricas

Eu tenho dúvidas a respeito de tudo mas quando perguntam minhas ideias digo sem medo ou receio o que penso, porque as palavras devem ser gritadas e acredite serão ouvidas mesmo que por poucos. Mulheres costumam fazer silêncio, cresceram acreditando que são sempre piores em tudo, dai surgem as histéricas, aquelas mulheres loucas que engoliram o choro, a regra, o outro e já não cabe mais, sem saída o corpo grita. Por isso eu digo, diga aquilo que te engasga e aperta, solta a voz aos cantos e meios, sua voz é forte, tuas palavras importam e tua verdade é válida, não subestime tua sabedoria. Tenho dúvidas a respeito de tudo porque quem dita as regras não me representa nem sustenta minhas ideologias, mas continuarei ouvindo as vozes como a minha e gritaremos juntas até sermos ouvidas.

 

 

Na caixa

Entre o céu e a terra

Entre a reta e a curva

O silêncio e a música

A questão e a dúvida

 

Entre o corpo e o espelho

Entre o dizer e o ouvir

O movimento e o tempo

A vida para seguir

 

Entre linhas

Entre bocas

Entre cantos

Pode entrar

 

Existe o passo que fica

Os olhos dialogar

O que me esconde¿

Corpo de bailarina

 

Firme como gelo

Que derrete

Na velocidade

De um dia quente

 

Sente o sentido

De ser muito 

Não cabe em si

Não cabe em mim

Não precisa caber

 

Sobra o que nela dobra

Explode com o fogo

Que não teve começo

Não teve meio

Nem

 

Enfim

Admitindo verdades

Das raízes

Que afrouxam

 

Sempre ser tanto

Girando na caixa

Seria tão bom

Voar como pássaros

 

Livre de culpas

Eles dizem

Mas não escutam

Bonita boneca que gira

 

Sozinha não goza

Mas grita em silêncio

A vitrine é pouco

 

Vira gaveta

Vira a cara

Revira a volta

 

Não pode chorar

Boas maneiras

Boa menina

Que ama os outros

Mas morre vazia

 

Mal sabem elas

Mal sabem eles

Ela mal sabe

Que dança

 

É domínio

Resistência do ar

Os encontros da terra

Limitações internas

 

Dominar as dobras

De um corpo imperfeito

Aceitar o inteiro

Compartilhar

O interno

 

Mostrar

O que passa pelas veias

Todo sangue que corre

Pulsa Expulsa Impulsa

O ser que vive

Livre de julgamentos

Ser maior que os medos

Entre ruas estreitas

 

Enfrenta o perigo

Sente a solidão bater

Bate mais forte

Bate de frente

 

Coração acelerado

Corpo entregue a alma

Ela dança

No ritmo cardíaco.

Renuncia

Deixaria eu de tomar meu café matinal para não escurecer os dentes?

Deixaria eu de comer um doce por culpa de engordar?

Quando o desejo é menor que o medo, receio que as ideias estejam perturbadas.

Deixaria eu de falar minhas palavras em troca de roteiros decorados?

Deixaria eu de usar minhas roupas curtas em busca de agradar a outros?

Oprimidos lutam contra o injusto até que estejam em seu lugar

Altar, deixaria eu de aproveitar meu privilégios?

Méritos, deve-se questionar.

Julgam os fins sem olhar os meios

Muito menos os cantos, rebocos e sujeiras

Ter certeza não é estar certo

No máximo é estar cego pelo ego que nos venda

Não se renda ao que convém

Não conforme-se com o conforto temporário

O tempo cobra caro, cuidado!

Seguimos iludidos pelas formas

Até que nos deparamos endividados.

Normalidade não é vantagem de nada

É só nomenclatura que serve para pessoa nenhuma

Sinto pena de quem pensa que não pertence

Mas é dono do mundo.

Somos poeira e não há quem seja maior

Ou melhor que grãos de areia.

 

 

Da ponte pra cá

É bonito ser poeta no papel,

uma história sobre ver diferente,

interpretar de outro ponto de vista,

concretizar um momento em

Palavras perfeitamente calculadas.

 

É feio ser poeta no concreto

Andar pelas ruas trocando

Versos e Pedaços de si

Por moedas sem vida nem gozo

 

Não sei se maldita é a ortografia

Ou a escola que não ensina

Talvez seja a vida que não deixou

Escondendo sua sabedoria

 

Disseram que poeta era aquele

Que falava palavras difíceis

Recitava bonito e gritava

Palavras que ninguém entendia

 

Poeta mesmo era aquele

Que falava sem preocupações

“Não adianta querer, tem que ser,

O mundo é diferente da ponte pra cá”

 

Quantos sabem e não falam

Quantos falam sem saber?

Poeta é aquele que tem muito

Muito a dizer.