[Eu não gosto de dar titulo aos poemas, parece que estou sendo injusta como quem limita com esteriótipos, como se todo aquele conteúdo que pra mim as vezes é tudo, significasse apenas uma palavra. Se eu fosse justa faria poemas como título de meus poemas e para esses, faria outros e assim por diante. É engraçado por que mesmo não gostando eu continuo nomeando cada um, eu penso que se alguém um dia quiser procurar um poema específico meu no Google, talvez, será mais fácil para encontrar, assim como eu faço e recomendo todos a fazerem ao procurar “se eu fosse eu” de Clarice Lispector ,encontro o que quero fácil. É isso que quero ser, fácil, acessível, quero ser lida, traduzida, bem interpretada. Eles falam 3, 4 linguás e não entendem uma palavra do que eu falo. Eu não gosto mas é o que eu faço, um texto todo errado sem espaço, parágrafo ou pontuação mas título eu coloco pra chamar atenção.] Título

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oração

Aos ventos peço que soprem

A chuva peço que escorra

Que oceanos afoguem

E luzes não se apaguem

Ao tempo peço que passe

Que o eco nunca encontre barreiras

Que terremotos balancem

Que velas sejam acesas

Que a natureza siga seu caminho natural

Peço ao fogo que entre em chamas

Que o gozo seja de mútuo prazer

Peço que cordas balancem em harmonia perfeita]

Que o perfeito nunca seja feito

Mas que os perseverantes continuem tentando

Desejo que as histórias sejam contadas, os números calculados

Que palavras sejam escritas e poemas recitados

Peço que os desejos não sejam sempre atendidos

Imploro que obvio seja dito

E todos entendam

Aqueles que ouvem escutem

E os que enxergam possam ver

Espero que os sonhos sejam acordados

Que a realização seja conquistada

E que o amor

Não seja apenas mais uma palavra.

 

 

 

 

Tempestade

Somos tão contrários

Como o clichê dos opostos

Me atraio pela tua carga

Que carrego como  fardo

É leve tua presença

O que pesa é o vazio da ausência

Em uma noite rara de desencontros.

Que a astrologia explique

Como eu posso ser tão livre

E obcecada pela tua companhia?

Estamos em constante conflito

Conversamos como velhos amigos

Negociamos o paraíso

Concordamos entre gritos

Amar é difícil!

Repito

Amar é para aventureiros e artistas

Viajamos e recitamos poesia

Meu abrigo

Pegando fogo

Um risco que não corro

Voou alto

Tão alto

Que já não sei olhar pra trás

Te vejo ao meu lado

Somos tempestade

Tempestade em um copo

De cerveja gelada.

 

 

 

 

M de Mulher

Marias, Marianas, Marielle

Marcadas! Machucaram-as

Mandaram matar

Mulheres militantes

Mas mesmo mortas

Matam machismo massificado.

Muito Mentem:

Meninas medianas,

Malucas, meretrizes.

Mundo moralmente maldoso

Manipulam meus medos

Minimizam minha manifestação.

Maquiavélicos !

Modelo meritocrata mostra

Mediocridade máxima

Moldam a massa.

Muito mais que mães

Mulheres mudam o mundo

Misturando magia

Modificando mentes mecânicas

Mobilizando movimentos,

Mulheres maravilhas

Moldam, melhoram, mandam

Muita mama, muita matriarca

Menos Misoginia.

 

 

 

 

 

Com amor

A ti desejo o amor,

Não falo desses de cinema ou canções americanas, muito menos do amor poético, romantizado.

A ti desejo o amor das entrelinhas, que construímos ao longo do caminho, mais difícil de encontrar que verdades ditas em público.

Esse amor que a ti desejo não depende de mim, a ninguém cabe esse lugar.

Sim, é possível ser amada por inteiro, sem mentiras nem preconceito.

Onde seu corpo é visto, sentido, aceito cada detalhe, onde defeitos não são mencionados.

Não existe  padrão para se comparar, tua beleza é tão única que não há a opção de não gostar.

Olhe para o espelho, nele reflete o medo , a culpa, as cicatrizes deixadas pelo tempo.

Olhe mais fundo do que costuma enxergar, pare de se culpar pelas medidas elas nem almenos existem.

E que se foda os que dizem o que devemos ser, o que devemos ter,  vestir, comer e aprender.

Eu sei, é difícil ser, é difícil aceitar, olhar para si e amar.

AMAR o corpo

Que carrega tua alma todos os dias, sentindo na pele o peso do padrão.

Perdoa,  teu corpo se doa em busca de aceitação.

Perdoa tuas marcas de nascença, desacredita do que tenham dito, diz que agora é tu quem dita.

Tuas verdade, tua razão.

Amai a si acima de todos,  além dos parâmetros de beleza,

A riqueza está em teu sorriso, se arrisca em ser verdade.

Desconstrói os conceitos, se acerta consigo

Faz do teu corpo abrigo.

 

 

.

 

 

 

FORMA

Cor

Preta e branca

Vermelha de sangue

Corpo

Político

Meu corpo é lírico

Livre

Com minhas regras

Compartilho

Quando quero

Reservo, guardo, espero

Mostro

A nudez da pele

Que arrepia meus pelos

Quando te tenho perto

Pelos,  poros, cravos e rosas

Meu corpo é descontínuo

Como as linhas

Das minhas estrias

E desses versos

Nas dobras

Encontro curvas

São as ruas

Da minha casa

Não sou praça

Que passa

Sou morada

Para estar

Presente

Todo mês

Menstruo

Menstruada

Sem censura

Imensurável

Não há vergonha

Em ser nua

Mulher crua

Que carrega o útero

Onde habita

O sangue fértil

Corpo

Não é forma

É conteúdo poético.

 

-LINE

 

Pedras no caminho

feridas Deveriam passar

ficam estagnadas ignorando o tempo

O tempo todo indo e vindo

Para o mesmo tropeço

Que dei quando cai de boca aberta

Na ilusão do medo

Anseio não estar presa

Já estando há milênios

Perdida na mesma linha

De raciocínio lógico aprendido

Apreendido e vendido na promoção

metade do quanto vale

Moralidade liquida e barata

não há valor

venderam todos

Nota-se que

minhas notas não são falsas

Notas que não tirei

Por não querer prova

Eu vejo os que se vendem

Vejo por que não me vendo

Meus erros só curo

Me vendo

Olhando para cada rio

Que escorre no meu corpo

Renova o que fui

Feridas

Abraço quem sou

Cicatrizes são pedras

No caminho do rio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Histéricas

Eu tenho dúvidas a respeito de tudo mas quando perguntam minhas ideias digo sem medo ou receio o que penso, porque as palavras devem ser gritadas e acredite serão ouvidas mesmo que por poucos. Mulheres costumam fazer silêncio, cresceram acreditando que são sempre piores em tudo, dai surgem as histéricas, aquelas mulheres loucas que engoliram o choro, a regra, o outro e já não cabe mais, sem saída o corpo grita. Por isso eu digo, diga aquilo que te engasga e aperta, solta a voz aos cantos e meios, sua voz é forte, tuas palavras importam e tua verdade é válida, não subestime tua sabedoria. Tenho dúvidas a respeito de tudo porque quem dita as regras não me representa nem sustenta minhas ideologias, mas continuarei ouvindo as vozes como a minha e gritaremos juntas até sermos ouvidas.