Quando minha mãe foi desrespeitada no trabalho ela disse: “EU tenho dois empregos, não preciso disso.”

 

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Incerta

sei como é nunca ser

Sempre

Donzela

não me sinto

perdida

Sou passeio de domingo

Em uma terça fria

Escute!

O som das batidas

Cardíacas

São as únicas

Verdades

Que não podem

Ser ditas

Sinta!

O dia lá fora

Chove mas não

Molha

Coberta pela certeza

De ser

Dúvida.

 

-Line

 

 

 

Histéricas

Eu tenho dúvidas a respeito de tudo mas quando perguntam minhas ideias digo sem medo ou receio o que penso, porque as palavras devem ser gritadas e acredite serão ouvidas mesmo que por poucos. Mulheres costumam fazer silêncio, cresceram acreditando que são sempre piores em tudo, dai surgem as histéricas, aquelas mulheres loucas que engoliram o choro, a regra, o outro e já não cabe mais, sem saída o corpo grita. Por isso eu digo, diga aquilo que te engasga e aperta, solta a voz aos cantos e meios, sua voz é forte, tuas palavras importam e tua verdade é válida, não subestime tua sabedoria. Tenho dúvidas a respeito de tudo porque quem dita as regras não me representa nem sustenta minhas ideologias, mas continuarei ouvindo as vozes como a minha e gritaremos juntas até sermos ouvidas.

 

 

Na caixa

Entre o céu e a terra

Entre a reta e a curva

O silêncio e a música

A questão e a dúvida

 

Entre o corpo e o espelho

Entre o dizer e o ouvir

O movimento e o tempo

A vida para seguir

 

Entre linhas

Entre bocas

Entre cantos

Pode entrar

 

Existe o passo que fica

Os olhos dialogar

O que me esconde¿

Corpo de bailarina

 

Firme como gelo

Que derrete

Na velocidade

De um dia quente

 

Sente o sentido

De ser muito 

Não cabe em si

Não cabe em mim

Não precisa caber

 

Sobra o que nela dobra

Explode com o fogo

Que não teve começo

Não teve meio

Nem

 

Enfim

Admitindo verdades

Das raízes

Que afrouxam

 

Sempre ser tanto

Girando na caixa

Seria tão bom

Voar como pássaros

 

Livre de culpas

Eles dizem

Mas não escutam

Bonita boneca que gira

 

Sozinha não goza

Mas grita em silêncio

A vitrine é pouco

 

Vira gaveta

Vira a cara

Revira a volta

 

Não pode chorar

Boas maneiras

Boa menina

Que ama os outros

Mas morre vazia

 

Mal sabem elas

Mal sabem eles

Ela mal sabe

Que dança

 

É domínio

Resistência do ar

Os encontros da terra

Limitações internas

 

Dominar as dobras

De um corpo imperfeito

Aceitar o inteiro

Compartilhar

O interno

 

Mostrar

O que passa pelas veias

Todo sangue que corre

Pulsa Expulsa Impulsa

O ser que vive

Livre de julgamentos

Ser maior que os medos

Entre ruas estreitas

 

Enfrenta o perigo

Sente a solidão bater

Bate mais forte

Bate de frente

 

Coração acelerado

Corpo entregue a alma

Ela dança

No ritmo cardíaco.

Renuncia

Deixaria eu de tomar meu café matinal para não escurecer os dentes?

Deixaria eu de comer um doce por culpa de engordar?

Quando o desejo é menor que o medo, receio que as ideias estejam perturbadas.

Deixaria eu de falar minhas palavras em troca de roteiros decorados?

Deixaria eu de usar minhas roupas curtas em busca de agradar a outros?

Oprimidos lutam contra o injusto até que estejam em seu lugar

Altar, deixaria eu de aproveitar meu privilégios?

Méritos, deve-se questionar.

Julgam os fins sem olhar os meios

Muito menos os cantos, rebocos e sujeiras

Ter certeza não é estar certo

No máximo é estar cego pelo ego que nos venda

Não se renda ao que convém

Não conforme-se com o conforto temporário

O tempo cobra caro, cuidado!

Seguimos iludidos pelas formas

Até que nos deparamos endividados.

Normalidade não é vantagem de nada

É só nomenclatura que serve para pessoa nenhuma

Sinto pena de quem pensa que não pertence

Mas é dono do mundo.

Somos poeira e não há quem seja maior

Ou melhor que grãos de areia.

 

 

Da ponte pra cá

É bonito ser poeta no papel,

uma história sobre ver diferente,

interpretar de outro ponto de vista,

concretizar um momento em

Palavras perfeitamente calculadas.

 

É feio ser poeta no concreto

Andar pelas ruas trocando

Versos e Pedaços de si

Por moedas sem vida nem gozo

 

Não sei se maldita é a ortografia

Ou a escola que não ensina

Talvez seja a vida que não deixou

Escondendo sua sabedoria

 

Disseram que poeta era aquele

Que falava palavras difíceis

Recitava bonito e gritava

Palavras que ninguém entendia

 

Poeta mesmo era aquele

Que falava sem preocupações

“Não adianta querer, tem que ser,

O mundo é diferente da ponte pra cá”

 

Quantos sabem e não falam

Quantos falam sem saber?

Poeta é aquele que tem muito

Muito a dizer.

 

 

 

 

Rinite

Eu tenho alergia

Me irrita toda poeira

Todo entulho

Toda sujeira

Eu tenho rinite

Que não permite

Que eu durma direito

Meu corpo não aceita

Espirra espirra

Tudo que for

Desrespeito

Eu juro já tentei

Mas essa poeira

Que ninguém limpa

Só me resta limpar

É como se eu não fosse

É como não pertencer

É como ter nascido

No planeta errado

 Meu corpo me convence

Que não sou imune

A podridão do mundo

Por isso não aceito

Não me deito

Não me calo

Onde eu for grito

O que estiver errado

Espirro espirro

“Saúde”?

Não é esse o caso.